Feeds:
Posts
Comentários

Bem linda a coleção da Animale, hein? Sempre gosto dos tricôs da marca e no visual proposto pro inverno 2011 não foi diferente.

E que bem incríveis esses sapatos do Tufi Duek! Embora eu tenha um problema pessoal com sandálias, aprovei:

Cobertura completa no FFW: Animale Inverno 2011 e Tufi Duek Inverno 2011

Já falei mal da Miuccia Prada aqui no blog algumas vezes e ao que parece ela não cansa de dar motivos para novos posts desgostosos envolvendo seu nome. A última foi dizer que a Prada jamais faria coleções para o segmento fast fashion como H&M e Topshop. Essa onda de desenvolver roupas mais acessíveis, de olho numa consumidora menos elitista, com menos grana, mas que muitas vezes compra em maior quantidade. Tendência que muita marca abraçou aqui e lá fora, vide Lanvin, Stella McCartney, Osklen e Alexandre Herchcovtich.

De acordo com Miuccia, a Prada não aposta nessa tendência porque não quer decair o padrão de qualidade de suas criações. Na verdade a expressão usada foi “bad copies”. Aí eu me questiono sobre o potencial criativo de uma estilista que afirma com todas as letras que só sabe desenhar roupa cara. Tudo bem que a marca é dela e ela faz roupa pra quem bem entender, mas cadê o espaço para a inovação da qual ela fala na mesma entrevista?

It’s clear that Chanel is known for the little jacket, and Vuitton for the LV, and us? Nobody really knows what we are, which is fortunate. Because I try to resist making a banal product

Ah, lembrei, inovação no mundo da Prada é colocar uma adolescente de 15 anos na campanha da Miu Miu e dizer que ela representa o espírito da marca “on the cusp of womanhood”: Fiften year old Lindsey Wixson’s Miu Miu Ads Debut

Genial que em pleno 2011 tem marca que faz questão de manter a moda num patamar arrogante e elitista pra vender roupa. Me desculpem os fãs do trabalho de Miuccia, mas só o diabo pra gostar da Prada mesmo!

Black Swan

O filme nem estreiou ainda no Brasil mas não aguentei esperar pra ver no cinema e baixei pra ver em casa no monitor de 17′ mesmo. Talvez dia 04 de fevereiro eu vá ao cinema para novamente ver Natalie Portman se equilibrar com a sapatilha de ponta, porque Cisne Negro merece ser assistido na telona.

Se você leu alguma coisa sobre o filme já deve saber da famosa cena entre Natalie e Mila Kunis (é, a Jackie de That 70’s Show). Tenho certeza que teve muita gente indo ao cinema só por esses míseros dois minutos da trama, pois segundo a própria Portman:

“Everyone was so worried about who was going to want to see this movie. I remember them being like, ‘How do you get guys to a ballet movie? How do you get girls to a thriller? The answer is a lesbian scene. Everyone wants to see that.”

Uma lástima reduzir a própria interpretação a um truque comercial tão bobo! Mas polêmicas a parte, eu não esperava nada diferente de Natalie além de ser bonita e atuar bem. Suponho que a cláusula “bom senso” e engajamento no movimento queer não conste no contrato de nenhum filme, aliás, é bem possível que em alguns casos sugira exatamente o contrário…

E se o assunto é boa atuação não se pode falar outra coisa que não seja o quanto ela mereceu o Globo de Ouro e merece sim concorrer (e quem sabe levar) o Oscar de melhor atriz. Apesar da curta participação adorei as aparições de Winona Ryder como bailarina veterana perturbada e Mila Kunis também agrada enquanto rival, representante do lado negro. Inclusive o site da Vogue UK publicou uma entrevista onde ela fala sobre o lado obscuro do balé: Black Swan

Passagens curtas, mas muito simbólicas do filme deixam isso muito claro, não só pela confusão mental da personagem principal, mas também nas pequenas menções aos transtornos alimentares (tão frequentes nesse meio e tão pouco abordados) e a busca incansável pela perfeição. Interessante é o que diz Thomas, vivido por Vicent Cassel, instrutor da escola de balé: “perfection is more than just getting every movement right; you have to let go“.

Outro tópico importante é como o diretor, Darren Aranofsky lida com a questão da infantilidade desse universo. Desde a relação de Nina com a mãe, passando pela decoração do apartamento, do quarto especialmente, até as atitudes das personagens como um todo, demonstram que o universo da bailarina é baseado numa conexão com a infância. Em parte por seus corpos que precisam demonstrar a leveza do corpo de uma criança, em parte porque crescer representaria o fim de uma carreira que é muito curta. E ao mesmo tempo é exigido da bailarina que seus movimentos sejam sedutores, que o corpo de menina dance como uma mulher. É bem semelhante ao que acontece na moda com as modelos.

O próprio figurino de Black Swan é a prova da presença do balé na moda e a moda no balé. As roupas são criação da Rodarte, embora nos créditos apareça apenas o nome de Amy Scott, como comenta a Vogue: Creditworth.

Nenhuma surpresa, portanto, que tutus, sapatilhas e rendas estejam se apresentando como tendência ultimamente. A Vogue Russa escolheu o assunto como tema de um editorial de moda, fotografado por Jason Schmidt, que encontrei no blog da Lidy Araújo: Bailarina

Vamos esperar pra ver o que vem por aí na São Paulo Fashion Week, que começa amanhã, mas também aposto no romantismo do balé como tendencinha forte pra o próximo inverno.

Abutres

Fui assistir Abutres (Carancho, no original) ontem, filme argentino sobre um advogado nada ortodoxo e seu conturbado relacionamento com uma paramédica. Um atraso causado por uma carona mal sucedida me custou o curta exibido antes da película e alguns minutos do começo, mas conclui que o timing foi perfeito. A parte chata foi convencer a atendente do Unibanco Arteplex a atrasar o relógio do computador pra me vender o ingresso, mas nada que um pouco de simpatia não tenha resolvido.

A história começa com a explicação de que na Argentina existe uma máfia que se beneficia das indenizações pagas às vítimas de acidentes de carro, ao desviar parte do dinheiro no processo (isso sem falar nos acidentes armados propositalmente). Sosa (Ricardo Darín) é um advogado especialista em acidentes de trânsito que trabalha para essa máfia um pouco a contra gosto, mas continua no esquema por pressão do chefe e colegas a base de muita chantagem. Luján (Martina Gusman) é uma paramédica com problemas para dormir, viciada em analgésicos. O casal se conhece num dos acidentes negociados pela “Fundação”, empresa de advocacia um tanto corrupta, onde ele trabalha.

Apesar do extenso currículo de fraudes e desvios, Sosa quer sair do escritório fraudulento e se aproxima de Luján com a famosa conversa de “vou mudar”. Dá para imaginar os conflitos possíveis, já que os demais envolvidos no processo não ficam nem um pouco satisfeitos com a crise de consciência do colega.

Algumas coisas são um pouco previsíveis, mas os textos são bons e a direção de Pablo Trapero convence bem. Tem uma câmera trêmula em alguns momentos que não curti, mas não chega a prejudicar. E se teve quem gostou de Irreversível, com certeza haverão os defensores do enquadramento “bêbada com salto quebrado voltando pra casa de manhã”.

No entanto, várias pessoas saíram no meio do filme e isso eu realmente não entendi. Talvez fosse um público caído de paraquedas que esperava um super suspense, uma fotografia menos escura, uma história menos trágica… Achei tudo na medida. É realmente pouco recomendado pra quem vai ao cinema na expectativa de romance com a companhia na poltrona ao lado, mas uma excelente pedida pra assistir com amig@s ou familiares*.

*aliás, meu muito obrigada pra Leca que chegou na hora e me contou a parte do começo que eu perdi!

Fora de órbita

Quem ainda não sabe que eu adoro o Woody Allen lê esse blog há pouco tempo, ou nunca prestou muita atenção nas minhas menções ao velhote maluco mais afudê do cinema. Imagino que pra alguns gostar dele como diretor soa tão bobo quanto ter Beatles como banda favorita. Nem tô, não gosto dos 4 de Liverpool, então cada um com suas obviedades. Seja como for, esse post é sobre o livro que dá nome ao título: Fora de órbita.

O livro não é novo, foi lançado em 2007, mas eu ganhei de Natal e comecei a ler essa semana como gratificação pessoal depois de ter passado dois anos lendo artigos e livros exclusivamente sobre gênero (assunto que me interessa muito, do contrário não faria mestrado nisso, mas desopilar é bom). Confesso que sou uma fã bem meia boca e nunca tinha lido nada dele antes, apenas apreciava a produção cinematográfica. Mas os ensaios mantém a veia humorística de Woody, que embora às vezes ele renegue, é a parte mais conhecida de seu trabalho. Alguns textos já tinham sido publicados na revista The New Yorker, mas como no Brasil suponho que quase ninguém tenha acesso, dá pra dizer que são inéditos por aqui.

Entre meus favoritos, destaco o terceiro ensaio: “Quero uma roupa que não fede nem cheira”. O texto ironiza as invenções tecnológicas no design têxtil, além de sugerir que a indústria em questão carece de ética e excede em arrogância. Quem trabalha no meio sabe que na maioria das vezes é bem por aí mesmo…

E falando em Allen, achei esse texto do Richard Miskolci, professor do núcleo de gênero da UFSCar (vê que tento desopilar da temática, mas não vai muito além), sobre o último filme de Woody “Você conhecerá o homem dos seus sonhos”: Para Woody Allen os homens são mais pesadelos do que sonhos. Não tinha pensado por esse viés, mas agora faz todo o sentido eu ter gostado do filme mesmo não sendo um dos melhores trabalhos dele.

Fashion Rio Inverno 2011

Os desfiles do Rio terminaram no sábado, dia 15, mas vale comentar aqui o que apareceu com força na passarela carioca e que deverá ser visto nas ruas no inverno. Sem muitas surpresas, a maioria das tendências já se anunciava há algum tempo e, ao que parece, serão reeditadas:

Paetês, por Alessa

Rendas, por Maria Bonita Extra

Militarismo, por New Order

Grunge revisitado, por Cantão

Peles sintéticas*, por Maria Bonita Extra

E para completar elegi alguns favoritos:

Fofurismo da estação: as estampas e toda a coleção da Têca

Objetos de desejo: sapato com laço e bermudinha transparente da Maria Bonita Extra

Ironia Fashion: os docinhos estampados nas peças da Alessa. Quando você pensou que veria uma modelo ao lado de um brigadeiro? Nem preciso dizer que no universo magricelo de quem veste as roupas guloseimas desse tipo só aparecem nas ilustrações mesmo…

*O sintético é por minha conta. Quero muito acreditar que não são peles de verdade.

Imagens: Agência Fotosite para FFW

A volta dos que não foram

Desde abril do ano passado sem uma mísera atualização aqui! Senti saudades de escrever e dividir opiniões, ideias e eventuais piadas sem graça. Infelizmente o tempo esteve muito curto em 2010, acabei quase virando em duas para cobrir mestrado e trabalho.

Mas chegou 2011, os tempos são outros e aproveito o começo do ano para retomar as atividades do Fergoland e comentar a temporada de moda para o inverno 2011 que estava rolando no Rio até o final de semana e segue pelos próximos dias em São Paulo.

Por agora deixo a dica da quarta temporada de Californication, que estreiou lá fora no começo do mês e tá sensacional, com um Hank Moody ainda mais problemático. Compartilho também uma imagem que adorei, a primeira das cinco capas da Love Magazine que vai falar de androginia:

Dizem por aí que Lea T (a morena pegando Kate Moss de jeito na foto acima) desfilará para Alexandre Herchcovitch nessa temporada. Seria lindo mesmo! Se alguém não sabe de quem se trata, se agiliza que Lea ainda vai dar muuuuito o que falar: Lea T na Wikipedia