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Archive for the ‘arte’ Category

Miragens

Primeiro passeio da série “fevereiro em SP sem dinheiro”: Miragens, no Instituto Tomie Ohtake. Fui de desavisada, passear no Tomie porque uma amiga trabalha lá e é muito perto de onde estou hospedada. Valeu bem mais que o abraço na amiga e nem a chuva na saída me desanimou.

É uma compilação de trabalhos de artistas, de várias partes do mundo, onde a temática islâmica é abordada de alguma forma. A exposição é parte de uma outra mostra paralela no CCBB SP: Islã – Arte e Civilização, que, segundo soube, não coube inteira lá.

A data para minha visita à expo não poderia ter sido mais adequada, embora nada intencional: o dia da renúncia de Mubarak. As obras são recheadas de críticas, algumas muito bem humoradas, mas também tentam desconstruir ideias pré-concebidas que os ocidentais tendem a ter do islã.

Adoro essa aqui de Laila Shawa:

Terrorista-Fashionista, ham, ham?

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No caminho para o aeroporto passei novamente na frente do MAM, onde na quinta fui conferir a exposição “Cuide de você”, da francesa Sophie Calle. Queria ter comentado antes aqui, mas os três últimos dias foram um tanto corridos e algumas coisas legais do meu roteirinho off praias e carnaval no Rio de Janeiro acabaram ficando pra ser mencionadas depois.

Minha amiga Roberta Lima já tinha me falado da Sophie antes (ela inclusive tem um trabalho foda a partir de cartas também) mas foi muita coincidência que eu tenha chegado no Rio na semana que a expo estava encerrando. O trabalho consiste em fotos, vídeos e textos, escritos por 107 mulheres em resposta a uma correspondência enviada por Sophie a estas pessoas. O texto é esse que reproduzo abaixo, que a artista recebeu por e-mail de seu amante X:

“Sophie,

Já faz um tempo que quero lhe escrever e responder ao seu último e-mail, ainda que me parecesse melhor falar-lhe de viva voz o que tenho a dizer.
Mas ao menos tudo estará escrito.

Como você pode ver, eu andava mal ultimamente. Era como se eu já não me reconhecesse mais dentro de minha própria existência. Uma forma terrível de angústia contra a qual eu não posso muita coisa a não ser seguir em frente, correndo, na tentativa de ultrapassá-la como sempre fiz.

Desde quando nos reencontramos você me impôs uma condição: de não se tornar “a quarta”. Eu concordei com seus termos: há meses deixei de ver as “outras”, não encontrando nenhum meio de fazê-lo sem que evidentemente você também se tornasse uma delas.

Eu acreditava que isto me bastaria, eu acreditava que amá-la e ter o seu amor bastariam para que a angústia que sempre me impele a buscar satisfação e nunca estar tranquilo ou simplesmente feliz e “generoso”, se acalmasse ao seu toque e na certeza que o amor que me dedicava era o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais conhecera, você bem sabe. Eu acreditei que “O I…” seria um remédio que dissiparia a minha “inquietude” para poder reencontrá-la. Mas não. Tudo se tornou ainda pior, nem posso ao menos lhe descrever o estado em que me sinto em minha pele. Então, essa semana, recomecei a procurar “as outras”. E sei o que isto significará para mim e aonde estou me deixando levar.

Eu nunca menti para você e não será hoje que vou começar.

Havia uma regra que você impôs no começo do nosso relacionamento: no dia em que deixássemos de ser amantes, me ver, não lhe seria mais possível. Você sabe como esse impedimento não pode me parecer mais desastroso, injusto (já que você ainda se encontra com B., R., …) e compreensível (obviamente); já que nunca poderei me tornar seu amigo.

Mas hoje, você pode dimensionar a importância de minha decisão pelo fato de estar prestes a me dobrar a sua vontade, já que não vê-la mais, nem lhe falar, nem saborear do seu olhar sobre as coisas e as pessoas e da sua doçura para comigo, me farão uma falta infinita.

Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amá-la da minha maneira e que é a mesma desde que lhe conheci e que continuará em mim, e sei, nunca morrerá.

Mas hoje, não haveria pior farsa que manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu, ter se tornado irremediável visto o amor que lhe dedico e aquele que você me dedica e que me obriga ainda, a esta lealdade, como última promessa em nome do que vivemos e que para sempre será único.

Eu adoraria que tudo pudesse ser diferente.

Cuide bem de você.

X.”

As interpretações das pessoas foram as mais diversas, até uma papagaia constava na lista de “mulheres” para quem ela enviou a carta. É daquelas coisas que não tem como não se identificar. Amor, relacionamentos, um tópico que qualquer um pode entender. Abaixo um dos vídeos enviados em resposta à Sophie:

Acho que do Rio a expo encerra a tour pelo Brasil, mas recomendo que quem tiver a oportunidade de visitar em outro lugar futuramente o faça.

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Urso Polar no Tamisa

polarbear

Amigos que mora em Londres, fotografem isso e me digam que é verdade, porque acho que só vendo pra acreditar.

“This giant sculpture of a polar bear stranded on a block of ice floated 7.5 miles from Greenwich towards the centre of London to highlight the problem of melting ice caps. The bear was also promoting the launch of a new television channel dedicated to natural history. ” Diretamente dos feeds do Times Online: Polar Bear “stranded” on the Thames

Achei bem intencionado, mas o resultado não foi dos melhores, o urso é meio FEIO, né? Tipo decoração de festa infantil feita com isopor…

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crinolina

Estava lendo agora o texto da Suzy Menkes para o Herald Tribune, do dia 15 de dezembro. Ela menciona uma exposição que acontece até 26 de abril deste ano, no Musée Galliera, em Paris: “Sous l’Empire des Crinolines (1852-1870)” (O império da Crinolina), com trajes, roupas, acessórios, penteados, fotos e pinturas, referentes à moda do período conhecido como Segundo Império.

Pra quem não sabe, crinolinas eram armações gigantescas, pesadas e desconfortáveis, que as mulheres usavam por baixo dos vestidos e saias. A intenção dos curadores da exposição, segundo Menkes, é desmistificar a crítica feminista a respeito deste acessório, tão torturador quanto um espartilho, no meu entender. Mas as razões alegadas são bem questionáveis: “The crinoline was a lighthearted pleasure for an empress, the founding of a commercial fashion industry and the force behind democratic department stores and women’s active new lives”.

Ou seja, tudo bem se as mulheres não podiam sentar com um vestido “crinolinado” ou se ficava complicado caminhar assim, porque a indústria da moda, como a conhecemos hoje, deriva disso. É nessas horas que me envergonho de fazer parte desta mesma indústria…

Irônica ou não, a autora usou um bom exemplo sobre os efeitos atuais de tão cruel acessório: “This year, the 23 debutantes included Anouchka Delon, the 18-year-old daughter of the actor Alain Delon, and Violet Hesketh, a scion of the Anglo-Irish Guinness family, wearing the gown Vivienne Westwood created for “Sex and the City.” In fact, Carrie’s romantic dreams from that television series and film are proof that the twirling skirt still has a hold on the most urban female psyche.” Pois, por mim, a Carrie e todo seu discurso “feminista” furado que vá pro diabo que a carregue!

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Flyer_ZZ_5_frente2

Desde que vim morar em SP e comecei a cobrir a temporada de moda, eu nunca tinha tido tempo no cronograma fashion de assistir um evento, que acontece durante o SPFW, que sempre me interessou: o Ziguezague. O Ziguezague consiste numa série de palestras, conversas, oficinas e agora até vídeos e instalações, com curadoria de Cristiane Mesquita e mediação de Rosane Preciosa, ambas minhas professoras no Senac e pessoas muito interessantes do recente meio acadêmico de moda.

Nessa edição de Inverno 2009, os temas moda e arte novamente se encontram e criam diálogos entre têxteis e comportamento:

FLYER-ziguezague

Começa sábado agora, dia 17. Vale a pena conferir!

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No caminho para o Goiânia Noise, estive de passagem por Brasília, ou como o Cabeção da Malhação certa vez disse: Brasila. Eu não conhecia a cidade e voltei encantada.

Pra começar todo e qualquer comentário sobre a cidade é preciso entender que no Planalto é plano (pleonasmo mode on, diria Sandy: “o que é imortal, não morre no final”), sendo assim, os prédios não tapam a visão da cidade, e mais importante, nem do céu, como em São Paulo, por exemplo. Não darei muitas explicações sobre o azul e as nuvens, as fotos falam por si:

Segundo, que qualquer coisa projetada pelo Niemeyer tem grande probabilidade de ser fantástica. Então, exceto pelo fato de ser tudo pintado de branco e refletir demasiadamente o sol que castiga a cabeça do vivente em Brasília, a arquitetura é basicamente um deleite para os olhos. Mas até aí grande novidade, qualquer um que tenha ouvido falar de Brasília alguma vez na vida, sabe de tudo isso.

Passei a entender também porque os ufólogos dão uma pirada no Cerrado, percebam o naipe dos apóstolos na frente da catedral, que coisa mais alienígena (em especial a mãozinha do São joão, meio Spock):

hands1

Infelizmente não tiramos foto no Congresso, segundo a Laila aquele treco assim – fazendo o movimento com as mãos: “côncavo”, “convexo”, nem na “ramps” do Planalto, mas passamos por todos esses lugares e fomos até a residência do presidente observar as emas, as carpas e os soldadinhos armados, que não nos deixariam entrar pra dar um alô pro Lula.

Tive uma guia e anfitriã super gente boa, a Ana Paula, uma matogrossense muito simpática, residente em Bsb há 6 anos, que nos carreteou pra lá e pra cá, pra mostrar a cidade. Descobrimos cantinhos interessantes como o Pontão, onde por um precinho módico, pudemos tomar um açaí, comer um sabororo sanduíche de ciabatta e um suco geladinho e refrescante. Além da Ana, outro detalhe foi fundamental no sucesso desse passeio: o seu carro. Então, registro aqui meus agradecimentos o Fiat Estilo prata, que se não fosse por ele não teríamos visitado um terço da cidade. Esse pra mim é o maior defeito de Brasília: não se pode andar a pé, tudo é assustadoramente longe.

Falando sobre distâncias, ficamos hospedadas em Águas Claras, um bairro/cidade próxima (de carro, obviamente) e descobrimos que com pressa, pé no acelerador e um motorista que se garanta, obviamente, em 20 minutos se chega ao centro da cidade. Então, após essa quase F1 urbana, fomos ao Blue Tree, o mesmo lugar daquela fatídica entrevista do Sérgio Hondjakoff, o Cabeção (ver link acima), para assistir o show dos americanos do Black Lips. O show foi um escândalo rock n’ roll, escrevi sobre isso pro Repique: Vocalista do Black Lips passa mal e prossegue show (na verdade é guitarrista, but anyway…)

No dia seguinte, após uma merecida noite de sono, tomamos um café reforçado oferecido por nossa anfitriã e seguimos para Goiânia de ônibus. Uma aventura que durou 3 dias e rendeu várias entrevistas, mas conto isso no próximo post.

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Inaugura amanhã, 20 de setembro, sábado, na galeria Choque Cultural, em São Paulo, uma mostra com trabalhos de diversos artistas de Porto Alegre, com o sugestivo nome de “trimassa”. A exposição conta com trabalhos de Carlos Dias, Jaca, Silvana Mello, Bruno 9li, Carla Barth, Luciano Scherer, Tinico Rosa, Paula Plim, Talita Hoffman, Pingarilho, Gera Tavares e Trampo.

Muitos dos nomes citados já participaram de exposições anteriores da Galeria, mas agora estão reunidos com a curadoria de Carlos Dias, nesta mostra. Os trabalhos ficarão expostos até o dia 31 de outubro.

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