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Archive for the ‘spfw’ Category

Toda edição da São Paulo Fashion Week acontece a mesma coisa. Reinaldo Lourenço desfila sua coleção cedo, por volta de 11h, no segundo ou terceiro dia de desfiles, no salão cedido pela FAAP, longe da Bienal. É um pra lá e pra cá de jornalistas, fotógrafos e curiosos de resultado previsível: todos saem maravilhados com o trabalho do estilista. Toda edição da SPFW eu fico me perguntando se as pessoas viram a mesma coleção que eu.

Não é que o trabalho de Reinaldo seja ruim, muito pelo contrário, poucas pessoas na moda têm semelhante capricho e precisão nas suas criações. Mas eu, enquanto amante da novidade, mesmo que seja baseada num modelo já existente (como fazem Reinaldo Fraga e Alexandre Herchcovitch, por exemplo), sempre fico sem entender o que de tão genial o povo percebe no trabalho de Lourenço. O que eu percebo é que entre uma cartela de pretos, brancos e vermelhos, em modelagem quadradona, sempre aparece um bordado, uma aplicação ou um tecido de textura diferenciada, bonito, de bom gosto, mas totalmente previsível.

Daí vem jornalista encontrar um sem fim de referências ali, dizendo que sentiu um “perfume” (por favor, parem de usar essa palavra nesse contexto!) de Helmut Lang, Celine, Balenciaga… Ou falam do tempo que levou para finalizar os tais bordados. Como se fazer uma coleção que remete a uma grife estrangeira ou ter peças que levaram uma semana para serem confeccionadas fosse premissa de genialidade na criação em moda.

É uma roupa pra ser vista de perto, sem dúvida, como mostram os tão comentados bordados e o trabalho em couro:

Mas o que eu vejo é mais do mesmo, bem feito, mas sem surpresas.

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Bem linda a coleção da Animale, hein? Sempre gosto dos tricôs da marca e no visual proposto pro inverno 2011 não foi diferente.

E que bem incríveis esses sapatos do Tufi Duek! Embora eu tenha um problema pessoal com sandálias, aprovei:

Cobertura completa no FFW: Animale Inverno 2011 e Tufi Duek Inverno 2011

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O filme nem estreiou ainda no Brasil mas não aguentei esperar pra ver no cinema e baixei pra ver em casa no monitor de 17′ mesmo. Talvez dia 04 de fevereiro eu vá ao cinema para novamente ver Natalie Portman se equilibrar com a sapatilha de ponta, porque Cisne Negro merece ser assistido na telona.

Se você leu alguma coisa sobre o filme já deve saber da famosa cena entre Natalie e Mila Kunis (é, a Jackie de That 70’s Show). Tenho certeza que teve muita gente indo ao cinema só por esses míseros dois minutos da trama, pois segundo a própria Portman:

“Everyone was so worried about who was going to want to see this movie. I remember them being like, ‘How do you get guys to a ballet movie? How do you get girls to a thriller? The answer is a lesbian scene. Everyone wants to see that.”

Uma lástima reduzir a própria interpretação a um truque comercial tão bobo! Mas polêmicas a parte, eu não esperava nada diferente de Natalie além de ser bonita e atuar bem. Suponho que a cláusula “bom senso” e engajamento no movimento queer não conste no contrato de nenhum filme, aliás, é bem possível que em alguns casos sugira exatamente o contrário…

E se o assunto é boa atuação não se pode falar outra coisa que não seja o quanto ela mereceu o Globo de Ouro e merece sim concorrer (e quem sabe levar) o Oscar de melhor atriz. Apesar da curta participação adorei as aparições de Winona Ryder como bailarina veterana perturbada e Mila Kunis também agrada enquanto rival, representante do lado negro. Inclusive o site da Vogue UK publicou uma entrevista onde ela fala sobre o lado obscuro do balé: Black Swan

Passagens curtas, mas muito simbólicas do filme deixam isso muito claro, não só pela confusão mental da personagem principal, mas também nas pequenas menções aos transtornos alimentares (tão frequentes nesse meio e tão pouco abordados) e a busca incansável pela perfeição. Interessante é o que diz Thomas, vivido por Vicent Cassel, instrutor da escola de balé: “perfection is more than just getting every movement right; you have to let go“.

Outro tópico importante é como o diretor, Darren Aranofsky lida com a questão da infantilidade desse universo. Desde a relação de Nina com a mãe, passando pela decoração do apartamento, do quarto especialmente, até as atitudes das personagens como um todo, demonstram que o universo da bailarina é baseado numa conexão com a infância. Em parte por seus corpos que precisam demonstrar a leveza do corpo de uma criança, em parte porque crescer representaria o fim de uma carreira que é muito curta. E ao mesmo tempo é exigido da bailarina que seus movimentos sejam sedutores, que o corpo de menina dance como uma mulher. É bem semelhante ao que acontece na moda com as modelos.

O próprio figurino de Black Swan é a prova da presença do balé na moda e a moda no balé. As roupas são criação da Rodarte, embora nos créditos apareça apenas o nome de Amy Scott, como comenta a Vogue: Creditworth.

Nenhuma surpresa, portanto, que tutus, sapatilhas e rendas estejam se apresentando como tendência ultimamente. A Vogue Russa escolheu o assunto como tema de um editorial de moda, fotografado por Jason Schmidt, que encontrei no blog da Lidy Araújo: Bailarina

Vamos esperar pra ver o que vem por aí na São Paulo Fashion Week, que começa amanhã, mas também aposto no romantismo do balé como tendencinha forte pra o próximo inverno.

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A volta dos que não foram

Desde abril do ano passado sem uma mísera atualização aqui! Senti saudades de escrever e dividir opiniões, ideias e eventuais piadas sem graça. Infelizmente o tempo esteve muito curto em 2010, acabei quase virando em duas para cobrir mestrado e trabalho.

Mas chegou 2011, os tempos são outros e aproveito o começo do ano para retomar as atividades do Fergoland e comentar a temporada de moda para o inverno 2011 que estava rolando no Rio até o final de semana e segue pelos próximos dias em São Paulo.

Por agora deixo a dica da quarta temporada de Californication, que estreiou lá fora no começo do mês e tá sensacional, com um Hank Moody ainda mais problemático. Compartilho também uma imagem que adorei, a primeira das cinco capas da Love Magazine que vai falar de androginia:

Dizem por aí que Lea T (a morena pegando Kate Moss de jeito na foto acima) desfilará para Alexandre Herchcovitch nessa temporada. Seria lindo mesmo! Se alguém não sabe de quem se trata, se agiliza que Lea ainda vai dar muuuuito o que falar: Lea T na Wikipedia

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Suponho que a grande maioria das pessoas que lê esse blog, tão raramente atualizado nesses últimos meses, já deve saber que faço mestrado em psicologia na PUCRS, com uma pesquisa fundamentada a partir do padrão de beleza imposto pela indústria da moda. Mas mesmo antes de direcionar minha vida acadêmica para esse rumo, esse assunto já me incomodava, enquanto formada, pós-graduada, meio jornalista da área e apreciadora de moda que sou. Assim, eu não poderia deixar de comentar a polêmica criada (abordada, na verdade, porque não foi criada agora, existe no mínimo há uns 20 anos) durante a SPFW sobre as magreza extrema das modelos.

Escrevi um post pro MM Conteúdo
, após ler os dois artigos publicados na Folha de São Paulo e reproduzo-os aqui, porque só estão disponíveis para assinante Folha ou Uol. Para completar minha colega de MM, Daniela Santarosa, publicou hoje no site um outro texto, a partir da discussão que tivemos ontem na redação. É pra pensar a respeito…

Moda tem que parar de sacrificar modelos

ALCINO LEITE NETO
EDITOR DE MODA
VIVIAN WHITEMAN
DA REPORTAGEM LOCAL

Chegou a um nível irresponsável e escandaloso a magreza das modelos nas semanas brasileiras de moda. As garotas, muitas delas recém-chegadas à adolescência, exibem verdadeiros gravetos como pernas e, no lugar dos braços, carregam espécies de varetas desconjuntadas. De tão desencarnadas e enfraquecidas, algumas chegam a se locomover com dificuldade quando têm que erguer na passarela os sapatos pesados de certas coleções.

Usualmente consideradas arquétipos de beleza, essas modelos já estão se acercando de um estado físico limítrofe, em que a feiura mal se distingue da doença.
Essa situação tem o conluio de todo o meio da moda, que faz vista grossa da situação, mesmo sabendo das crueldades que são impostas às meninas e das torturas que elas infligem a si mesmas para permanecerem desta maneira: um amontoado de ossos, com cabelos lisos e olhos azuis.

Uma rede de hipocrisia se espalhou há anos na moda, girando viciosamente, sem parar: os agentes de modelos dizem que os estilistas preferem as moças mais magras, ao passo que os estilistas justificam que as agências só dispõem de meninas esqueléticas. Em uníssono, afirmam que eles estão apenas seguindo os parâmetros de beleza determinados pelo “mercado” internacional -indo todos se deitar, aliviados e sem culpa, com os dividendos debaixo do travesseiro.

Alguns, mais sinceros, dizem que não querem “gordas”, com isso se referindo àquelas que vestem nº 36. Outros explicitam ainda mais claramente o que pensam dessas modelos: afirmam que elas não passam de “cabides de roupas”. Enquanto isso, as garotas emagrecem mais um pouco, mais ainda, submetidas também a uma pressão psicológica descomunal para manterem, em pleno desenvolvimento juvenil, as características de um cabide.

Um emaranhado de ignorâncias, covardias e mentiras vai sendo, assim, tecido pelo meio da moda, inclusive pelos estilistas mais esclarecidos, que não pesam as consequências do drama (alheio) no momento em que exibem, narcisicamente, suas criações nas passarelas. Para uma semana de moda, que postula um lugar forte na sociedade brasileira, é um disparate e uma afronta que ela exiba a decrepitude física como modelo a milhões de adolescentes do país.

Para a moda como um todo, que vive do sonho de embelezar a existência, a forma como os agentes e os estilistas lidam com essas moças é não apenas cruel, mas uma blasfêmia. Eles, de fato, não estão afirmando a grandeza da vida, mas propagando a fraqueza e a moléstia. O filósofo italiano Giorgio Agamben escreveu que as modelos são “as vítimas sacrificiais de um deus sem rosto”. É hora de interromper esse ritual sinistro. É hora de parar com essas mistificações da moda, que prega futuros ecológicos, convivências fraternais e fantasias de glamour, enquanto exibe nas passarelas verdadeiros flagelos humanos.

Hipermagreza domina passarelas da SPFW

Modelos muito esquálidas levam grifes

FERNANDA MENA
DA REPORTAGEM LOCAL
NINA LEMOS
COLUNISTA DA FOLHA

“Gente, o que é isso, essa menina está doente?” A frase, de um fashionista sentado na primeira fila de um desfile da SPFW, ilustra um espanto recorrente na atual edição do evento: as modelos estão mais magras do que nunca. Prova disso é que estilistas estão tendo dificuldades em montar seus “castings”, fazem ajustes de última hora e escolhem peças estratégicas que escondam os ossos saltados das modelos.

Na SPFW da magreza radical brilham modelos na faixa dos 18 anos, que têm índice de massa corporal, calculado pela Folha, igual ao de crianças de 9 anos. No mundo dos adultos, a Organização Mundial da Saúde chama esse índice de “magreza severa”.

A explicação vem da top Aline Weber, 21, que mora em Nova York e participou do filme “Direito de Amar”, de Tom Ford. “Três coleções atrás, no auge do pânico antianorexia, as pessoas pesavam as modelos no backstage para ver se elas estavam saudáveis. Agora, a poeira baixou. Se você engorda um pouco, todo mundo está ali pra te julgar. Se você emagrece, falam que você está linda.” Aline diz conhecer muitas meninas bulímicas e anoréxicas fora do Brasil. “As russas são as piores”, conta.

O stylist David Pollak identifica o padrão supermagro europeu como uma das causas da onda que atinge a atual edição da SPFW. “Muitas meninas estão trabalhando fora e por isso estão supermagras. Estão dentro do padrão de Paris, que é esquelético.”

A magreza radical fez com que ele tivesse dificuldades na hora de montar o “casting” da Cavalera. “A marca tem uma imagem mais adolescente, saudável. Por isso, peguei meninas que não são badaladas [leia-se, as que ainda não têm carreira internacional]. Outros stylists tiveram de fazer o improvável: dispensar meninas de suas seleções porque elas estavam magras demais.
A onda tem feito eles inverterem uma antiga lógica da moda: ao invés de avaliarem roupas ideais para esconder, por exemplo, um quadril mais largo, têm de descobrir os looks que vão ocultar um corpo esquálido. “As meninas muito magras causam problemas. Seus ossos apontam num vestido de seda mais fluido. Ou seus corpos, muito estreitos, deixam a proporção toda estranha”, avalia o stylist Maurício Ianês.

Muito café

O estilista Reinaldo Lourenço não só percebe a hipermagreza das modelos desta temporada como também conta que teve que fazer hora extra por conta do fenômeno. “Tive que fazer vários ajustes de última hora em roupas que ficaram largas nas meninas, o que me deu o maior trabalho”, diz. Segundo ele, isso acontece porque a atual safra de modelos é “muito jovem”.
Nos camarins, longe da mesa de salgadinhos e quitutes -relegada aos jornalistas-, modelos desfilam com copos de café. “Identifico as mais magras como a turma do cafezinho, já que elas passam o dia todo tomando café para não comer e ficarem ligadas”, diz Pollak. Em entrevistas, elas escondem o peso e as medidas. “Não sei quanto peso. Nunca subo na balança”, disfarça uma delas.

Cristina Theiss, 18, jovem aposta da Ford Models, teoriza: “Para fazer passarela de inverno, precisa ser mais magrinha mesmo, porque as roupas são volumosas, enchem demais”. Para agências de modelos, o assunto ainda é tabu. Ou foi deixado de lado. “Magreza? Anorexia? Mas que assunto antigo, datado!”, diz um agente, interrompendo a entrevista da Folha com uma modelo. Basta olhar para as passarelas para ver que não é.”

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Tá difícil escrever em dois lugares sobre a mesma coisa… Mas vou tentar resumir os dois primeiros dias do SPFW em imagens:

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A coleção carnaval da Osklen chocou de tão linda

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Nunca um jogo de rugby foi tão elegante como no verão 2010 de Alexandre Herchcovitch

É pouco, mas é o que eu consigo me lembrar de mais interessante no momento.

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Pra quem anda meio perdido nas datas, mudanças e novidades do nosso calendário de verão, seguem algumas datas, locais e line-ups dos principais eventos da temporada:

Casa de Criadores – 27 à 29 de maio, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo

27/05 – Quarta-Feira
Interferência: Urussai, de Catarina Gushiken
LAB: Karin Feller
R. Rosner
João Pimenta
Ianire Soraluze
Milena Hamaní
Der Metropol
Gustavo Silvestre

28/05 – Quinta-Feira
LAB: Mahogany, Danilo Costa, Twooin (de Juliana Altafim e Najla Dib), Arnaldo Ventura, Jadson Raniere
Tudicofusi
Purpure
Geraldo Couto
ADD
Prints I Like
Rober Dognani

29/05 – Sexta-Feira
Gêmeas
Marcelu Ferraz
No Hay Banda
Tony Jr.
Diva
André Phergom
Walério Araújo

Fashion Rio – 05 à 10 de junho, no Cais do Porto, no Rio de Janeiro

Sábado, 06/06
16h – Maria Bonita Extra
17h – Cavendish
18h – Melk Z-Da
19h30 – Salinas
20h30 – Claudia Simões
21h30 – Printing

Domingo, 07/06
16h – Acquastudio
17h30 – Mara Mac
19h – Têca
20h – Graça Ottoni
21h30 – TNG

Segunda, 08/06
12h – Aüslander
16h – Apoena
17h – Cantão
18h – Victor Dzenk
19h – Luiza Bonadiman
20h30 – Carlos Tufvesson
21h30 – Coven

Terça, 09/06
16h – Walter Rodrigues
17h – Luciano Canale para Sta. Ephigênia
18h – Alessa
19h30 – Lenny
20h30 – Giulia Borges
21h30 – Tessuti

Quarta, 10/06
16h – Juliana Jabour
17h – Filhas de Gaia
18h – Totem
19h – Espaço Fashion
20h – Francisca
21h30 – Redley

São Paulo Fashion Week – 17 à 22 de junho, na Bienal, em São Paulo

Quarta, 17/06
15h – Osklen
17h – Priscilla Darolt
18h – V.Rom
19h – Paola Robba
20h15 – Uma por Raquel Davidowicz
21h30 – Colcci

Quinta, 18/06
13h30 – Iódice
15h30 – Maria Bonita
16h30 – Alexandre Herchcovitch (fem)
17h30 – Cori
19h – Forum Tufi Duek
20h15 – Huis Clos
21h30 – Cia Marítima

Sexta, 19/06
12h15 – Reinaldo Lourenço
15h30 – Simone Nunes
16h30 – Água de Coco por Liana Thomaz
17h30 – Carlota Joakina
18h30 – Fabia Bercsek
19h30 – Ellus
21h – Triton

Sábado, 20/06
12h45 – Gloria Coelho
13h45 – Gloria Coelho
15h30 – Erika Ikezili
16h30 – Maria Garcia
17h30 – FH por Fause Haten
19h – 2nd Floor
20h15 – OESTUDIO
21h30 – Animale

Domingo, 21/06
12h – Cavalera
14h30 – Neon
15h30 – Ronaldo Fraga
17h – Jefferson Kulig
18h – Mario Queiroz
19h30 – Lino Villaventura

Segunda, 22/06
15h – Isabela Capeto
16h – Wilson Ranieri
17h – Movimento
18h – Alexandre Herchcovitch (masc)
19h – Reserva
20h15 – Samuel Cirnansck
21h30 – André Lima

E o Rio Summer acontece de 4 à 7 de novembro, sem line up definido ainda.

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