A primeira noite da Casa de Criadores começou com uma intervenção do estilista Ivan Ribeiro, do lado de fora da sala de desfiles, no lounge. Em um cenário vermelho e cheio de rabiscos, as modelos se posicionavam como estátuas moderninhas, em looks que abusaram do preto, mas aos poucos ganharam cores, como o violeta e o laranja. As peças em malha e moletom vinham em formas inusitadas, as vezes ganhando uma silhueta anos 40, com cintura e ombros marcados.

Do lado de dentro da sala de desfiles, o primeiro a se apresentar foi Andre Phergom, embalado por uma banda que tocou ao vivo. Inspirado pelo rock, tendo como ponto de partida os ingleses dos Smiths, a coleção apresentou muitos looks escuros, mesclando preto e cinza. A aposta de Andre era um visual rocker que não fosse óbvio, embora materiais como couro, sempre associado a esta estética, estivessem presentes. A silhueta para os meninos traz camisas, malhas e camisetas curtas e secas, deixando o volume para as calças. No feminino o estilo proposto funcionou um pouco melhor, saindo da mistura alfaiataria-streetwear e utilizando-se de materiais mais delicados como os acetinados, que deram leveza e elegância nos vestidos. As poucas padronagens que apareceram foram o xadrez e as listras bem miudinhas.

As meninas do No Hay Banda foram buscar inspiração numa antiga canção: Lili Marlene, que ficou muito conhecida durante a Segunda Guerra Mundial. A inspiração implicou em fortes referências dos anos 40 nas peças: ombros e cintura evidenciados, além da praticidade dos bolsos espalhados por toda a coleção. As saias são ajustadas, tipo lápis, com comprimento pelo joelho, as calças são retas. Em outros modelo, babados nos decotes e mangas, e os drapeados das saias, definem formas mais suaves. Na cartela o preto aparece forte, seguido pelo cinza e branco, neutralizados pelo lilás. Os sapatos, peep-toe, com detalhe no salto, merecem um destaque, pois eram lindos!

João Pimenta, super conhecido pela sua linha masculina, apostou no feminino para sua coleção Inverno 2009. O resultado foi uma coleção bem humorada e interessante: regatas e suspensórios completavam calças com muito volume no quadril e cintura muito marcada, criando uma silhueta arredondada. As peças são estruturadas, as vezes nervuradas, ou em patchworks de tecido sem acabamento, em vários tons e texturas de preto. A lã aparece e o tradicional moletom da linha street também se fez presente. Nas cores, os básicos, preto e branco.

A estilista Ianire Soraluze, nesta estação, se propôs um desafio: descontruir seu processo criativo, promovendo uma renovação no seu trabalho. Na passarela, essa descontrução se traduziu em peças com um pé no guarda-roupa masculino, como coletinhos, pantalonas e ombreiras marcando os ombros. A silhueta veio alongada, com uma leve referência militar, suavizada pelos laçarotes das golas das camisas, pelas peças em malharia, pelos acetinados e pelas pequenas e poucas estampas florais. O marrom e o laranja são cores fortes nesta coleção, acompanhados de um azul celeste que arrematou o desfile. As peças são opacas, bem invernais. o brilho só aparece no sintético de alguns vestidos e casacos .

Na sequência veio o coletivo Tudi Cofusi apresentando uma coleção para tempos de crise, disseram eles. Peças em malha, em soft, com volumes, em cortes retos, meio geométricos, ou arredondados pelos franzidos e drapeados. As formas são amplas, criando macacões, maiôs e vestidos inusitados, com dobras, vazados e amarrações. Os tons pastéis de algumas peças são avivados pelos acessórios, em papel, com listras multicoloridas. Em outras, o amarelo queimado, o laranja e o azul royal complementam as criações.

Encerrando a noite, Rober Dognani, trouxe uma coleção festiva, onde novamente o dourado e o preto foram as cores predominantes. A coleção composta basicamente de vestidos, apostou nos volumes e nos curtos. O destaque das roupas podia estar no peito, criando assimetrias, com um bojo marcado em apenas um dos seios, ou nas costas, com decotes profundos e peças de um ombro só. As golas amplas, meio futuristas, surgem arrematadas por ombros bem marcados. Nos tecidos muito brilho, com tecidos laminados (dourado, que parecia um papel de bombom) e vinílicos, criando texturas nervuradas, além do couro, já utilizado por Rober em outras coleções. O clima de inverno se manifestou nos vestidos, como o modelo de uma manga só, super bufante.


